
No quarto dia da greve dos rodoviários, São Luís amanheceu nesta segunda-feira (2) sem ônibus circulando. Mesmo com uma liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinando a circulação de 80% da frota, nenhum veículo entrou em operação desde a manhã da última sexta-feira (30). As paradas permaneceram vazias, enquanto mais de 700 mil pessoas foram diretamente afetadas pela paralisação do transporte público na capital.
Sem o serviço regular, passageiros precisaram recorrer a alternativas para se deslocar, como vans, carros particulares e aplicativos de transporte, o que gerou aumento de gastos e dificuldades para chegar ao trabalho ou retornar para casa. A crise no sistema de transporte coletivo em São Luís é recorrente. De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, ao menos sete paralisações gerais já foram registradas nos últimos anos.
Antes mesmo da greve geral, trabalhadores da empresa Expresso Rei de França, antiga 1001, haviam iniciado uma paralisação há cerca de uma semana. Esta foi a terceira em menos de três meses, todas motivadas por atrasos no pagamento de salários e benefícios. Agora, o movimento expõe também o impasse em torno do reajuste salarial para 2026, com a categoria reivindicando aumento de até 15%. Apesar da mediação da Justiça, ainda não houve consenso entre as partes.
O TRT informou que poderá aplicar multa diária de até R$ 70 mil ao Sindicato dos Rodoviários em caso de descumprimento da decisão judicial, além de eventual bloqueio de recursos da entidade. Os rodoviários alegam enfrentar condições difíceis de trabalho, enquanto os empresários afirmam que o congelamento da tarifa desde 2023 tem pressionado os custos do sistema.
A Prefeitura de São Luís afirma que os repasses de subsídios às empresas estão em dia, conforme previsto em contrato. Já a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) informou que mantém o pagamento do subsídio estadual e cobra maior transparência nos custos do sistema, considerando atípica a paralisação das linhas do semiurbano.
Durante a audiência de mediação, encerrada sem acordo, foi apresentada uma contraproposta de reajuste salarial de 12%, que, segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Marcelo Brito, será analisada pelos empresários. Uma nova audiência foi marcada para a próxima terça-feira (4), às 9h. Até lá, a greve segue mantida, sem previsão de retorno do serviço, e a população continua enfrentando transtornos e custos extras com transporte alternativo.






