
O Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos, em São Luís, está sendo alvo de uma auditoria emergencial do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS), vinculado ao Ministério da Saúde. A inspeção foi aberta para apurar denúncias relacionadas ao funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas da unidade, diante de preocupações com a assistência prestada aos pacientes e o aumento dos índices de mortalidade.
De acordo com o diretor do DenaSUS, Rafael Bruxellas, a fiscalização não integra o calendário rotineiro de auditorias do órgão, mas foi instaurada em razão da gravidade das denúncias envolvendo crianças internadas em estado crítico. Paralelamente, o Ministério Público do Maranhão também acompanha o caso e investiga as circunstâncias que envolvem o crescimento no número de óbitos registrados no hospital.
Entre os principais pontos sob análise está a mudança na gestão das UTIs pediátricas, que passaram a ser administradas pelo Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), contratado pela Prefeitura de São Luís em outubro de 2025.
Profissionais da saúde relataram preocupação com mudanças implementadas após a nova gestão, apontando redução das equipes médicas e dificuldades na formação das escalas de plantão. Segundo os relatos, alguns especialistas deixaram de atuar na unidade por entenderem que o número de profissionais era insuficiente para atender pacientes de alta complexidade.
Além da auditoria do Ministério da Saúde, a Defensoria Pública do Maranhão questiona a legalidade do contrato firmado com o IBMED e solicitou sua anulação. O órgão aponta possíveis irregularidades na contratação, destacando que o edital teria considerado como uma única UTI uma estrutura formada por três unidades fisicamente separadas, totalizando 29 leitos. Também são alvo de questionamentos a previsão do quantitativo de médicos e os critérios para exigência de profissionais especializados em terapia intensiva pediátrica.
Em resposta, o IBMED nega qualquer irregularidade e afirma que o contrato atende às normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O diretor clínico da instituição, Paulo Bayma, informou que a empresa conta com mais de 20 médicos contratados e que as escalas seguem critérios técnicos, além de manter profissionais de diferentes estados para garantir o funcionamento das UTIs.
Durante a fiscalização, a equipe do DenaSUS analisou contratos, escalas médicas, prontuários, documentos administrativos e indicadores de atendimento. O relatório final da auditoria deverá apontar se houve falhas na assistência, problemas estruturais ou inconsistências na execução do serviço. Caso sejam constatadas irregularidades, o resultado será encaminhado aos órgãos competentes para a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis.