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Protesto com mais de 100 cruzes cobra respostas sobre mortes de crianças no Hospital da Criança, em São Luís

 

Familiares de crianças que morreram nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital da Criança, em São Luís, realizaram na manhã desta quinta-feira (16) um protesto silencioso em frente à unidade de saúde. O ato foi marcado pela instalação de mais de 100 cruzes, em homenagem às vítimas e como forma de cobrar esclarecimentos sobre os óbitos registrados.

 

A mobilização reuniu pais e mães das crianças, conselheiros tutelares e apoiadores das famílias, que pedem rigor na apuração das denúncias envolvendo o funcionamento das UTIs pediátricas. A previsão é que a manifestação permaneça no local até as 11h desta sexta-feira (17).

 

O protesto ocorre enquanto diferentes órgãos acompanham o caso. As investigações são conduzidas pelo Ministério Público do Maranhão, Ministério Público Federal, Defensoria Pública, Polícia Civil e por técnicos do Ministério da Saúde, que analisam possíveis irregularidades na gestão e na assistência prestada aos pacientes.

 

Dados apresentados pelo Ministério Público apontam que o Hospital da Criança registrou 113 mortes em 2025, sendo 101 delas nas três UTIs pediátricas da unidade. Segundo o órgão, o número representa um aumento expressivo em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 39 óbitos nesses setores.

 

As apurações também buscam verificar se o aumento das mortes tem relação com mudanças ocorridas após a terceirização da gestão das UTIs. Em outubro de 2025, a Prefeitura de São Luís contratou o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED) para administrar os leitos de terapia intensiva pediátrica.

 

De acordo com o Ministério Público, há indícios de redução de recursos destinados ao funcionamento das UTIs e diminuição do número de médicos previstos para atuar nas unidades, fatores que também estão sendo analisados durante a investigação.

 

O IBMED, por sua vez, nega qualquer irregularidade. O diretor clínico da instituição, Paulo Bayma, afirmou que a equipe das UTIs pediátricas é composta atualmente por mais de 20 médicos e defendeu a regularidade dos serviços prestados.

 

Enquanto as investigações seguem em andamento, familiares das vítimas afirmam que continuarão cobrando transparência, responsabilização, caso sejam comprovadas irregularidades, e medidas que garantam mais segurança no atendimento às crianças da rede municipal de saúde.

Categoria: Notícia Geral

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