
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à CPMI do INSS, apontou indícios da prática de “rachadinha” envolvendo ex-assessores do deputado estadual Edson Cunha de Araújo. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.
De acordo com o Relatório de Inteligência Financeira (RIF), dois ex-assessores do parlamentar apresentaram movimentações consideradas atípicas. Um deles, Helioenay Rodrigues de Sousa, teria sacado quase a totalidade dos salários recebidos, levantando suspeitas de participação em um possível esquema de devolução de vencimentos — prática conhecida como “rachadinha”. O documento também aponta indícios de uso da conta bancária para movimentação de recursos de terceiros, o que pode indicar tentativa de fraude fiscal.
Outro ex-assessor citado é Magno Moreira Pinto Júnior, que, segundo o Coaf, realizava saques em dinheiro vivo em valores que dificultam o rastreamento do destino dos recursos. O padrão identificado sugere possível envolvimento no mesmo tipo de esquema.
O relatório menciona ainda o próprio deputado Edson Araújo, destacando a realização de depósitos em espécie de forma fracionada — prática que pode indicar tentativa de evitar mecanismos de controle financeiro.
Além do mandato parlamentar, Araújo atua como vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura, entidade também sob investigação. A CBPA é suspeita de realizar descontos não autorizados em benefícios de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social.
Mesmo sem funcionários registrados, a entidade teria recebido ao menos R$ 221 milhões provenientes desses descontos, segundo apuração da Controladoria-Geral da União, que questiona a capacidade operacional da organização.
O caso ganhou maior repercussão após episódio envolvendo o deputado Duarte Júnior, vice-presidente da CPMI. Após questionar Araújo sobre possíveis vínculos financeiros com a CBPA, ele afirmou ter recebido mensagens com tom ameaçador, registrou boletim de ocorrência e adotou medidas de segurança reforçadas.
Movimentação milionária sob suspeita
A quebra de sigilos bancário e fiscal revelou uma movimentação financeira considerada incompatível com a renda declarada do parlamentar. Apenas em 2024, cerca de R$ 112,3 milhões passaram por suas contas.
No mesmo período, sua declaração de Imposto de Renda indicou rendimentos de aproximadamente R$ 972 mil — o equivalente a apenas 1,1% do total movimentado.
Entre 2023 e 2025, o volume total de recursos movimentados por Araújo chega a R$ 173 milhões, segundo os dados analisados.