
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no âmbito das apurações sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A inclusão do senador na investigação ocorreu em 22 de julho, mas a medida só veio a público nesta quinta-feira (10), após a retirada do sigilo dos autos.
O pedido de investigação foi apresentado pela Polícia Federal e recebeu manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A apuração busca esclarecer a origem e a destinação de aproximadamente R$ 61 milhões em repasses atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do antigo Banco Master, que teriam sido realizados a pedido de Flávio Bolsonaro.
Entre as suspeitas analisadas estão possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos que possam estar relacionados ao financiamento da produção cinematográfica.
A Polícia Federal também investiga a hipótese de que parte dos recursos tenha sido utilizada para financiar ações atribuídas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Na decisão, Mendonça autorizou a abertura de um procedimento investigatório vinculado ao inquérito que já tramita no STF, com o objetivo de apurar a possível participação de Flávio Bolsonaro nos fatos investigados.
Delação premiada
As investigações sobre o financiamento de Dark Horse também tiveram novos desdobramentos nesta semana. O gabinete de André Mendonça homologou o acordo de delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, proprietário da Entre Investimentos e Participações.
Segundo as investigações, a empresa teria sido utilizada para receber recursos repassados por Vorcaro que seriam destinados à produção do filme.
O caso possui ainda uma segunda frente de apuração no Supremo. Nesta quinta-feira (10), o ministro Flávio Dino autorizou o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão para investigar suspeitas de desvio de emendas parlamentares relacionadas ao Banco Master e ao financiamento da produção cinematográfica.
Entre os alvos da operação está o deputado federal Mario Frias (PL-SP).